Bandidos montaram base em Porto Rico (PR), de onde
deflagrariam operação para tirar outros três líderes da Penitenciária de
Presidente Venceslau, no oeste paulista.
Bandidos montaram base em Porto Rico (PR), de onde
deflagrariam operação para tirar outros três líderes da Penitenciária de
Presidente Venceslau, no oeste paulista
Um avião Cessna 510, um helicóptero Bell e um
Esquilo blindado e com as cores da Polícia Militar armado com uma metralhadora calibre.
30. Esses são alguns dos equipamentos que o Primeiro Comando da Capital (PCC)
está reunindo para o mais audacioso plano de fuga montado pela facção: o
resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros três líderes,
obtido pelo Estado e revelado nesta quarta-feira, 26, no estadao.com. br.
As informações estão em um relatório sigiloso
preparado pela inteligência das Polícias Civil e Militar e pelo Ministério
Público Estadual (MPE) em mãos da Justiça paulista. Para que o plano dê certo,
três integrantes da facção tiveram aulas de voo em 2013 no Campo de Marte, na
zona norte da capital. O professor dos bandidos foi, segundo o relatório,
Alexandre José de Oliveira Junior, copiloto do helicóptero do deputado federal
Gustavo Perrella (SDD-MG).
Oliveira Junior foi preso em 25 de novembro do ano
passado no Espírito Santo pela Polícia Federal quando descarregava 450 quilos
de cocaína de um helicóptero – a aeronave pertencia ao deputado. A facção
começou seu plano em janeiro do ano passado. Os bandidos montaram uma base em
Porto Rico, no Paraná. De lá, iriam de carro até o Aeroporto de Loanda, também
no Paraná, que seria o ponto central do plano.
Aeronaves compradas em São Paulo ou sequestradas
pousariam em Loanda, na região de Maringá, onde carregariam a tropa de assalto
do PCC. Seriam dois helicópteros – o Esquilo é o modelo usado pela PM. A
intenção dos bandidos era camuflá-lo para que policiais que guardam a muralha
da Penitenciária-2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, o
confundissem com um helicóptero Águia.
A outra aeronave carregaria à metralhadora e daria
proteção ao Esquilo. Durante a aproximação, Marcola, Claudio Barbará da Silva,
Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Luiz Eduardo Marcondes Machado, o Du
Bela Vista, sairiam de suas celas em direção ao pátio interno. As grades delas
já estão serradas e camufladas. Os quatro bandidos subiriam em um cesto
blindado, preso ao helicóptero.
Norambuena. O plano é semelhante ao executado em 30
de dezembro de 1996 pela Frente Patriótica Manoel Rodriguez (FPMR) para
resgatar quatro de seus líderes detidos no CAS (Cárcere de Alta Segurança), em
Santiago, no Chile. A ação tirou da cadeia, entre outros, Maurício Hernandez
Norambuena, o chefe da FPMR, que seis anos mais tarde seria preso em Serra
Negra, no interior de São Paulo, quando liderava o sequestro do publicitário
Washington Olivetto.
Do Aeroporto de Loanda, os quatro criminosos do PCC
seriam levados para fora do País, provavelmente em um Cessna 510. O destino
seria o Paraguai, onde seriam aguardados por Gilberto Aparecido dos Santos, o
Fuminho, que gerenciaria o tráfico de drogas para Marcola.
| Arte: Estadão |
Só em dois voos feitos com aeronaves para testes do
plano de resgate, a facção teria gasto, na primeira semana deste mês, R$ 35
mil. No dia 14, policiais do Paraná informaram aos colegas paulistas que haviam
identificado um Cessna 510 que havia pousado em Loanda. A suspeita é de que ele
seria usado. Eles não conseguiram, entretanto, o registro de um helicóptero
usado nos voos de teste do PCC.
O atual plano substituiu outro, detectado em 2011 e
2012 em escutas telefônicas, conhecido como Cachorro Quente. Naquela época, o
objetivo era fugir pelo solo. Para tanto, o PCC montou um arsenal com fuzis e
pretendia sequestrar funcionários para ter acesso ao presídio.
Do Portal Coelho Neto
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