Policiais que prenderam ontem Raimundo Sales Chaves
Júnior, o Júnior Bolinha, acusado de ser o contratante do Johnatan Silva,
assassinato confesso do jornalista e blogueiro Décio Sá, desconfiam que a saída
dele da prisão tenha sido facilitada.
| Junior Bolinha teve saída facilitada. |
Bolinha deixou a prisão onde aguarda julgamento sem
ser incomodado e deve ter contado com a ajuda de um vigilante e um policial que
não estava dentro do seu plantão.
O contratante da morte de Décio Sá e de Fábio
Brasil ocupava em um veículo Corola acompanhado de dois parentes, sendo
uma irmã, um irmão, e um policial civil quando estava no Araçagy para fazer uma
cobrança. Além de outras atividades, ele era agiota.
A pessoa que deve Júnior Bolinha foi colocada dentro
do carro e quando avistaram que a polícia estava ao encalce deles, empreenderam
uma fuga que chamou a atenção das pessoas na avenida dos Holandeses, no
Araçagy.
Nas proximidades de Churrascaria Berro foi montado o
cerco e a pessoa que estava sendo sequestrada aproveitou para se atirar pra
fora do carro.
Um cidadão que vinha mais atrás em seu veículo
informou ao blog que alguns policiais avançaram pra cima do homem caído ao solo
e ainda desferiram nele vários chutes, imaginando tratar-se de um dos elementos
que estavam ajudando Bolinha na fuga.
Todos foram encaminhados para a SEIC onde foram
ouvidos durante toda a madrugada de hoje.
A Secretaria de Segurança Pública vai informar hoje
toda a operação e como Júnior Bolinha teve a saída facilitada, a partir das 10h
de hoje na sede da Segup. Alguns policiais acreditam que esta não seja a
primeira vez que ele tenha saído durante a noite para fazer “negócios”.
O blog do Luís Pablo chegou a publicar que ele fazia
farras na cadeia onde se encontrava, no ano passado, com a participação
de mulheres nas orgias.
Nome
de gente importante nos caso das mortes
Bolinha, após a elucidação da morte do jornalista,
passou alguns meses no 8º Distrito Policial, na Liberdade e foi transferido
para a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, na Vila Palmeira.
Naquela época, ele responsabilizou a transferência
como sendo retaliação da polícia por ter manifestado desejo de contar todos os
detalhes do assassinato de Décio Sá e Fábio Brasil, este último em Teresina.
Ele insinuava que havia participação de gente graúda no caso.
Ao jornalista Osvaldo Viviane, do Jornal
Pequeno, ele contou o seguinte:
“Na
primeira noite aqui [na DRFV], dormi no chão, numa cela sem luz e molhada, em
condições desumanas, como uma solitária. Tenho certeza de que a transferência
foi uma represália da Secretaria de Segurança por eu falar com a imprensa
quando estava no 8º DP, e dizer que queria ser ouvido pela Justiça novamente
para contar tudo o que sei dos crimes que me acusam. É claro que é retaliação
por eu querer falar o nome de gente grande envolvida nos crimes. Até as visitas
de pessoas da minha família estão sendo proibidas. Nem a comida e água que me
trazem podem chegar até mim. O pessoal do DP diz que eu tenho que comer só as
‘quentinhas’ que eles trazem. Estou preferindo ficar sem comer. Estou com medo
de me matarem aqui dentro como queima de arquivo”.
Mas o delegado Augusto Barros, superintendente da
Seic rebateu as informações de Júnior Bolinha à época, informando que a medida
foi para proteger a própria vida do preso porque carros estavam rondando a
delegacia.
Bolinha, em junho do ano passado, se manifestou ao
juiz Márcio Castro Brandão, e ao promotor Luís Carlos Duarte que queria se
reunir com os dois e seu advogado, Armando Serejo, para contar detalhes dos
crimes que ele havia omitido e teve o pedido negado.
O promotor Luís Cláudio Duarte, segundo reportagem
do Jornal Pequeno, informou que um grande empreiteiro do Maranhão seria
investigado por suposta participação no assassinato do jornalista Décio
Sá, como um dos mandantes.
O promotor chegou a pedir a entrada do
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no caso, já
que o suposto
“consórcio” para assassinar o jornalista também teria a intenção de mandar
assassinar um promotor de Justiça, Luís Fernando Cabral Barreto Júnior (3ª
Promotoria Especializada de Proteção do Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio
Cultural).
Acusação
a dono de construtora
Na metade deste ano, Júnior Bolinha informou que
havia enviado uma carta feita do próprio punho em que relacionava o nome do
empresário Marcos Regadas, dono dos empreendimentos imobiliários da construtora
Franere, como uma dos participantes da morte de Décio Sá, e do plano para
matar o promotor Fernando Barreto. O secretário de Segurança Pública, Aluízio
Mendes, negou que tenha recebido o documento.
A carta chegou às mãos de jornalistas e blogueiros e
foi publicada por jornais impressos e blogs. O blog do Luís Cardoso informou
que a carta era uma tentativa de extorsão de Bolinha que teria pedido do
empresário R$ 2 milhões, mas ainda assim o jornalista foi processado por Marcos
Regada pela publicação da carta.
O advogado de Bolinha, Armando Serejo, que havia
deixado a causa de seu constituinte, disse desconhecer a tentativa de extorsão.
Hoje ele voltou a advogar para o contratante da morte de Décio Sá.
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