| O laço, simbolo da campanha mundial contra a Aids, foi formado na faixa de areia da praia do Calhau |
Areia da
Praia do Calhau, um grande laço humano se formou, na manhã de ontem, Dia
Mundial de Luta contra a Aids, simbolizando a luta e a solidariedade no combate
e prevenção à doença. A ocasião foi o ponto alto de uma grande caminhada que
percorreu a Avenida Litorânea, durante a qual foram distribuídos preservativos
e materiais educativos.
A
iniciativa da mobilização foi da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), diante
dos números alarmantes de mais de 3 mil casos registrados em São Luís, que
ocupa a liderança dentre os municípios nordestinos com o maior número de
portadores de Aids, sendo a sexta capital do país, de acordo com dados do
Ministério da Saúde. Em todo o país, o Maranhão tem a sexta capital maranhense
ocupa a sexta posição.
A Semana
Municipal de Prevenção às DST/Aids se estende até o próximo dia 10, constando
da programação atividades de capacitação aos profissionais de saúde, além de
ações educativas e preventivas em vários centros de saúde da capital e
terminais de integração. De acordo com o coordenador municipal de DST/Aids e
hepatites virais, Claudean Serra, o objetivo da caminhada de ontem foi chamar a
atenção da cidade para o problema que a doença representa para São Luís. “A
Aids não é um problema do outro.
É um
problema nosso, e todos precisam unir forças para mudarmos a realidade”, disse
o coordenador, ressaltando que as campanhas de conscientização, com a
distribuição de preservativos, panfletos de esclarecimento e géis ocorrem
durante todo o ano, nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e unidades
de saúde, marcadamente em comemorações como o Carnaval, festividades juninas e
Dia dos Namorados. Sobre a incidência da doença, Claudean Serra considerou que,
apesar de a Aids atingir pessoas sem distinção de classe social ou idade, a
população jovem, por ter uma vida sexual mais ativa e por participar com maior
frequência de comportamentos que as tornam mais vulneráveis.
À frente
do carro de som que acompanhava os participantes da caminhada, o coordenador
adjunto, Wendel Alencar, destacou a importância da mobilização em conclamar a
sociedade a refletir sobre práticas de sexo mais seguro. “É importante que cada
um entenda que para termos o fim da epidemia de Aids, é preciso a atitude de
todas as pessoas praticando sexo com camisinha”, disse ele, informando que,
dentre as doenças infecciosas, a Aids foi a principal causa de mortes na
capital maranhense. Wendel Alencar disse que, a partir das notificações ao MS,
os segmentos da população mais atingidos são as mulheres e jovens entre 13 e 25
anos, predominando dentre os contaminados nesta faixa de idade as meninas e
gays.
Ativismo
homossexual
“Transar
é bom, mas se prevenir é melhor ainda”, disse Betinho Lima, coordenador do
Grupo Gayvota, destacando que a caminhada tem um importante papel de
conscientização. Junto com integrantes de outras organizações da sociedade
civil, o ativista participou ontem da mobilização promovida, levando a bandeira
com as cores do arco-íris, que simboliza o movimento das minorias LGBT. Segundo
Betinho Lima, a Gayvota busca, através de iniciativas como oficinas e
seminários, reforçar o uso do preservativo e outras medidas de prevenção. Outra
estratégia é abordar os frequentadores de bares e casas noturnas, além de
profissionais do sexo, sobre os riscos aos quais estão expostos se não adotarem
tais medidas preventivas.
O
coordenador da entidade chamou a atenção para a facilidade de se realizarem os
testes, e que o diagnóstico e tratamento precoce podem assegurar a
sobrevivências dos soropositivos. Nos próximos dias 5 e 6, a ONG Gayvota
promove um seminário sobre prevenção em HIV/Aids e hepatites virais, no Hotel
Abeville, bairro São Francisco.
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