Após visitar o Complexo Penitenciário de Pedrinhas,
em São Luís/MA, na última sexta-feira (20/12), o juiz auxiliar da Presidência
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Douglas Martins cobrou providências do
governo maranhense para acabar com a violência cometida a familiares de presos
durante as visitas íntimas realizadas nos presídios do complexo. Esposas e
irmãs de presos estariam sendo obrigadas a ter relações sexuais com líderes das
facções criminosas, que ameaçam de morte os presos que se recusam a permitir o
estupro das mulheres.
A violência sexual seria facilitada pela falta de
espaço adequado para as visitas íntimas, que acontecem em meio aos pavilhões,
uma vez que as grades das celas foram depredadas. A lei determina que haja
espaço adequado para esse tipo de visita. Sem espaços separados, as galerias
abrigam cerca de 250 a 300 detentos que passam dia e noite juntos, o que
estimularia brigas e uma rotina de agressões e mortes, segundo o juiz-auxiliar
da presidência do CNJ.
“Por exigência dos líderes de facção, a direção da
casa autorizou que as visitas íntimas acontecessem no meio das celas. Sou
totalmente contrário à prática e pedi providências ao secretário da Justiça e
da Administração Penitenciária (Sebastião Uchôa), que prometeu acabar com a
prática em Pedrinhas”, disse Douglas Martins.
Rotina - Desde 2011, quando houve o Mutirão
Carcerário do CNJ no Maranhão, o Conselho recomenda ao Poder Executivo
maranhense a construção de unidades prisionais, especialmente no interior, para
acabar com a superlotação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o único do
estado.
Em outubro, após uma rebelião matar 9 detentos em
Pedrinhas, o CNJ voltou ao estado para reiterar a necessidade de mudanças
urgentes no sistema prisional local. Na ocasião, a governadora Roseana Sarney
prometeu construir 11 unidades prisionais, das quais 10 no interior.
A situação, no entanto, segue precária. Segundo o
magistrado do CNJ, foi possível visitar todas as unidades do complexo, mas não
entrar em todas as áreas dos presídios por falta de segurança.
“Como as celas não ficam fechadas, os agentes de
segurança recomendaram não entrar porque os líderes das facções não teriam
permitido e o acesso às dependências seria muito arriscado”, disse.
A governadora do estado, Roseana Sarney, prometeu
prestar informações sobre a crise no sistema prisional até terça-feira (24/12)
ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)/ Luís
Pablo
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